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Misoginia, o que é? História, como combater e reflexões

A misoginia é uma forma de ódio e aversão contra a mulher, que parte dos homens. A misoginia é violenta, sendo considerada uma doença.

Atualizado em 08/08/2020

As mulheres vivem um processo de luta contra o machismo – e sua desconstrução –  há anos. Dentre os tipos de opressão, a misoginia é uma das formas mais agressivas contra a mulher.

Ser misógino, segundo o dicionário, significa ter ódio e aversão contra as mulheres. Por mais que o problema venha se construindo a anos, e ocorra há séculos, a lei que garante a punição contra este crime no Brasil só foi aprovada no dia 3 de abril de 2018.

A desconstrução é, a princípio, uma tarefa diária. Há vários tipos de violência contra a mulher que nos confundem na hora de dar o nome certo ao tipo de transgressão. Sobretudo, estes conceitos devem ser trazidos para a consciência

Por isso, vamos destrinchar o termo para refletir o real papel da mulher na sociedade, e os problemas que todas sofrem.

História da misoginia

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Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe

Este termo, muito dito e ouvido ultimamente, foi criado na Grécia Antiga. “Miseó” significa “ódio” e “gyné” corresponde a “mulher”. Ou seja, misoginia é a aversão e o ódio incitado contra pessoas do sexo feminino.

Apesar da existência da palavra ser bem antiga, é bem difícil datar o início deste ato,. Pois o mesmo perpassa a humanidade durante séculos.

A história, a princípio, é cravada em um sistema patriarcal, ou seja, fundada desde os primórdios em uma lógica construída por homens.

Portanto, por vários anos, a mulher sempre esteve em uma sociedade pensada e construída para o homem. Consequentemente, a mulher é coloca numa escala inferior, e submissa, ao sexo masculino.

Muitas das agressões sofridas são decorrentes deste tipo de lógica, encrustada na sociedade. A atitude fundamentada no patriarcado leva a mulher a sofrer agressões físicas, psicológicas, moral e, principalmente, sexual.

Os espaços públicos foram sendo ocupados pela mulher através do tempo, por meio de muitas revoltas e manifestações organizadas pela união da comunidade feminina.

Originou-se, por fim, o feminismo, movimento político e filosófico de luta pelos direitos entre homens e mulheres. E foi assim que se tornou possível andar livremente na rua, trabalhar, votar, entre outras várias funções, que anteriormente eram restritas aos homens.

Ser misógino

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Toda Matéria

Reconhecer a misoginia como crime na sociedade não é tarefa fácil. Prova disso é a recente lei n.º 13.642, instaurada no Brasil em abril de 2018, considerando o ato como crime, com direito a punição.

Outra forma derivada da misoginia, que também teve nova aprovação reconhecida como crime de ódio, é o feminicídio. Lei que pune o assassinato de mulheres.

O misógino é o homem que alimenta sentimentos de repulsa e propaga o ódio contra as mulheres. É por isso que a luta contra a misoginia tem sido longa e árdua, pois se depara também com uma construção vinda das instituições religiosas.

Na bíblia, no alcorão e na cultura entre os povos, as funções das mulheres eram sempre retratadas como servas de seus pais, maridos, filhos e irmãos.

É por isso que Simone de Beauvoir ressalta: não se nasce mulher, se torna! Combater a misoginia é ir de encontro aos pensamentos machistas cultivados na história.

A cada desconstrução, temos uma nova descoberta do que é realmente “ser mulher”. E ser mulher é muito mais do que os padrões sociais nos pregam no dia a dia.

Resgate da valorização da mulher

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Diário do Estado

Em se tratando da misoginia na história, já tivemos momentos em que a mulher foi valorizada na sociedade. Há 35 mil anos atrás, não havia distinção nas funções entre homens e mulheres e todos ajudavam de forma igual da comunidade.

A pré-história é matriarcal, e neste período inicial do desenvolvimento humano, a mulher era vista como sagrada.

A busca pelo fim da misoginia e pela valorização da mulher é uma forma, na verdade, de resgate da cultura. Por mais dolorido que seja, a melhor maneira de dar fim a este sistema patriarcal é ocupar os espaços.

Portanto, se você é mulher e sonha em ser uma profissional, ocupar cargos públicos, ser política, ser empresária, este é o caminho certo. Todas nós temos o direito de escolha e podemos transitar por qualquer que seja o espaço escolhido.

Relação entre machismo, misoginia e sexismo

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Inscecta

A princípio, não há segredo na hora de identificar o machismo, a misoginia ou o sexismo. Ambos estão consolidados em uma base onde a depreciação as pessoas de sexo feminino é a principal arma.

E, por incrível que pareça, todos os formatos de violência acima não são só praticados por homens. As mulheres educadas neste sistema também desempenham esta função tão cristalizada na sociedade.

Machismo

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Politize

Basicamente, o machismo é o expressão máxima da superioridade do sexo masculino sobre o sexo feminino. O machista tem como prioridade a exaltação da sua própria condição de ser homem.

Este julgamento contra a mulher pode ser concretizado de diversas maneiras. As piadas, por exemplo, são um dos mais cristalizadas formas de preconceito.

Com certeza, você já deve ter ouvido coisas como “lugar de mulher é na cozinha”, ou “mulher no volante, perigo constante”. Pois é, estas são uma das maneiras de expressar uma opinião contrária aos direitos iguais entre o homem e a mulher.

Além disso traz para a naturalização a divisão de funções para cada sexo. Seja qual for o âmbito possível de se imaginar (economia, cultura, família, mídia, entre outros) há sempre um pensamento machista.

Infelizmente este modo de pensar e agir é cultural e cabe a nós levantarmos a problematização. Todos os ambientes são compostos por pessoas assim e a desconstrução diária é trabalho para muitos anos a frente. Pois, além do machista escancarado, temos também os mais contidos. E esses são os mais difíceis de alcançar e trazer a realidade à tona.

Misoginia

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JusBrasil

O fundamento da misoginia é, como todos os outros, uma forma de expressão contra a mulher. Mas, ao contrário do machismo, o ser misógino é aquele que tem ódio contra o sexo feminino. Os estudos psicológicos revelam que este comportamento é muito mais profundo do que imaginamos. A misoginia não surge do nada.

Há uma relação na má formação da sexualidade do homem que tem atitude misóginas. Essa maneira mal resolvida consigo mesmo, ou seja, essa não compreensão de si mesmo é muitas vezes transparecida por meio da violência. O homem que se encaixa nesse perfil costuma ser super agressivo quando se trata de mulher. Essa má formação na identidade traz ambiguidade nos sentimentos podendo variar entre amor e ódio.

Imagine um animal que se sente ameaçado e que sua única forma de se defender é atacando. Quando todas as coisas incompreensíveis vem à tona o homem misógino se torna cruel ao se portar diante de uma mulher. Mas, saibam que nenhum tipo de agressão é justificável e em casos de violência há sempre a opção de denunciar o agressor e se manter distante.

Sexismo

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Inscecta

Um hora ou outro você vai ouvir falar na mídia sobre a diferença salarial entre homem e mulher. Essa discussão vai muito além do “receber ou não a mais”, porque é uma questão bem mais profunda na sociedade. Isso acontece, pois ainda estamos sujeitas a desvalorização e do sentimento de superioridade masculino. É através deste comportamento que temos a discriminação e reforçamos padrões de funções na sociedade.

Por exemplo, mulheres vestem rosa e meninos vestem azul. Parece simples, mas tem origem no mesmo ideal sexista onde a mulher é educada e destinada a desempenhar um determinada função e o homem a outra. Quando uma menina brinca com uma boneca, ou com fogãozinho ela está automaticamente sendo ensinada que o seu destino é ser mãe. Ou seja, ser “do lar” e cuidar dos filhos e da casa.

Direito de escolha

Não há direito de escolha nessa forma de educação. A  comprovação vem quando o pai diz que o homem que é homem não brinca de boneca e se brincar é “gay”, “é coisa de mulherzinha”. Desse modo, ele além de reforçar um preconceito contra homossexuais ele denota a ideia negativa contra o a imagem da mulher.

Este pensamento associa diretamente o “ser mulherzinha” a uma coisa ruim. O homem não faz isso, ou aquilo porque é coisa de mulherzinha, ou seja, há uma diminuição do ser mulher neste pensamento. O pior é que isso é fruto de uma construção que vem desde a infância. Portanto, se houve divisão dos papéis executados na sociedade saiba que esta atitude é uma atitude sexista.

Por fim, leia mais sobre em Preconceito, o que é? Definição, características e principais tipos

Fontes: Politize, Galileu, Toda Matéria, Dicio, Universa, Significados, Migalhas, Significado 2, Galileu 2, Universa 2

Fonte de imagens: Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, Toda Matéria, Diário do Estado, Iscecta, Politize, JusBrasil, Inscecta 2, Vix