Moda

Sucesso da Shein: as polêmicas da venda explosiva da marca

O sucesso da Shein é marcado por tendências rapidamente aderidas pela marca e os preços mais baixos do mercado.

Você com certeza já deve ter ouvido falar da Shein, a nova febre da moda na internet e a base do fast fashion. Torna-se cada vez menos difícil abrir o TikTok, YouTube ou Instagram e encontrar um anúncio da marca. Da mesma forma, os famosos pacotes transparentes lotados de roupa ocupam o guarda-roupa de muitas adolescentes. O sucesso da Shein é explosivo, e a marca chinesa foi capaz de se estabelecer muito bem durante o período da pandemia. Com mais de 6 mil itens novos no catálogo diariamente, encontrar o que você precisa ficou fácil.

A marca se aproveita de forma fantástica das novas tendências e dos que os compradores querem, mas principalmente, dos custos. Entender o sucesso da Shein, após conhecer um pouco de sua realidade, não é uma dificuldade. Por outro lado, o gigante chinês também recebe milhares de críticas por conta de seu impacto ambiental. Da mesma forma, a falta de transparência da marca e as constantes acusações de plágio de pequenos designers ainda são um problema.

A receita da popularidade da Shein é uma mistura de bons preços, tendências de fácil alcance e praticidade de compra. Nesse sentido, confira abaixo tudo que você precisa saber sobre a marca e quais são suas características principais.

Baixo custo dos produtos

Sucesso da Shein: as polêmicas da venda explosiva da marca

Acredita-se que os misteriosos fundadores da Shein tenham iniciado uma sociedade ainda em 2008, tendo como líder o empresário Chris Xu. Antigamente, Xu trabalhava com marketing digital, e vendia vestidos de noiva na internet. Cinco anos depois, a empresa assumiu sua forma atual, assumindo o nome Shein. Mesmo que esteja sediada na China, boa parte de seus clientes vem dos Estados Unidos, Europa e Austrália. Os preços? O sonho de qualquer consumidor: a média não costuma sair de R$ 58.

Hoje em dia, a marca se estabeleceu no comércio fast fashion e envia peças para 220 países. Nesse sentido, o impulso nas vendas foi fruto da crise do Covid-19. Com as quarentenas estabelecidas, muitos consumidores passavam muito tempo navegando na internet. Assim, ampliar sua presença não foi difícil, alcançando um público amplo de forma rápida. Estima-se que as vendas e o sucesso da Shein chegaram a 63,5 bilhões de yuans em 2020; cerca de R$ 54,4 bilhões.

Problemas ambientais

Além disso, a alta produção e os baixos preços da Shein também levanta diversas questões por conta de sua pegada ambiental. O desafio de vender roupas e ainda empregar a conscientização é grande, já que a indústria da moda é responsável por até 8% das emissões globais de carbono. A Shein e muitas outras marcas de fast fashion utilizam tecidos de poliéster, que dependem da extração de petróleo e carvão. Da mesma forma, eles não se biodegradam como materiais naturais.

Mesmo assim, a marca insiste que seu método de produção de roupas em pequenos lotes é eficiente. Da mesma forma, um porta-voz comentou que o modelo de negócios “equilibra os desejos e necessidades dos consumidores e o processo de estoque”. Ainda afirmam que desejam utilizar mais tecidos reciclados, e que sua tecnologia de impressão de elementos gráficos e estampas é menos poluente que a tradicional.

Variedade é o sucesso da Shein

Sucesso da Shein: as polêmicas da venda explosiva da marca

Não importa quando, o site da Shein tem pelo menos 600 mil produtos à venda. A marca conta com milhares de fornecedores terceirizados, e cerca de 200 fabricantes contratadas, perto de Guangzhou, a sede. Por meio de um tipo de “varejo em tempo real”, empresas menores recebem informações de tendências ou desempenho de certos produtos. Assim, produzem um lote de 50 a 100 itens de um estilo. Caso funcione, a Shein pede mais deles. Caso não, o processo é descontinuado.

Em cerca de 25 dias, a marca consegue criar um novo item. Contudo, para varejistas comuns, esse processo leva meses. O modelo é fruto do “testar e repetir”, famoso em empresas como H&M e a Inditex, dona da Zara. De acordo com a BBC, apenas 6% do catálogo estoque da Shein permanece à venda por mais de 90 dias.

A popularidade da Shein

A marca chinesa se aproveita de forma grandiosa da febre dos influenciadores na internet, bem como jovens “embaixadores” e estrelas de reality shows, nomes que mais integram as buscas nos últimos meses. Só os perfis da Shein já acumulam mais de 250 milhões de seguidores em suas mídias sociais. Sua presença online impulsiona seu sucesso; à medida que as pessoas conhecem mais sobre a marca, mais elas se envolvem. Da mesma forma, a publicidade e o patrocínio de influenciadores no Instagram e no TikTok a tornaram mais relevante.

Nesse sentido, a empresa ainda realiza shows ao vivo em suas plataformas para promover ainda mais seus produtos. A empreitada não é tão comum em marcas ocidentais, mas possui um potencial gigantesco para impulsionar as vendas. O uso de dados dos clientes, porém, preocupa países como o Reino Unido. Algum tempo atrás, por exemplo, a Shein recebeu a acusação de incentivar clientes a fornecer dados pessoais para ganhar descontos e outras recompensas da marca. Esse tipo de tentativa torna-se cada vez mais perigosa em um mundo online.

Equipe de criação gigante da Shein

Sucesso da Shein: as polêmicas da venda explosiva da marca

Fornecer tantos produtos de estilos diferentes não é uma tarefa fácil para marcas que possuem apenas um ou outro designer. Por outro lado, a Shein possui mais de 200 deles, bem como mais de 7 mil funcionários. Contudo, a marca recebeu mais acusações de violação de direitos autorais e agora enfrenta processos judiciais de empresas como a fabricante das botas Dr. Martens. Mesmo assim, negam qualquer irregularidade.

Um executivo sênior da empresa revelou que eles também possuem uma equipe que analisa novos projetos dos fornecedores antes mesmo de chegarem ao site. Isso faz com que seja possível filtrar qualquer situação de violação de direitos, e de acordo com ele, a marca leva esse assunto a sério. Até então, a Shein já pagou mais de US$ 1 milhão para designers independentes, mas ainda é alvo de acusações de plágio. Muitos afirmam, por exemplo, que ela copia suas criações e as vende por um preço muito menor.

Para tentar melhorar sua imagem, recentemente a marca realizou uma competição para jovens designers com um prêmio de US$ 100 mil. A Shein ainda passa por outros problemas de acusações sérias, como supostos anúncios de empregos para trabalhadores em suas fábricas e armazéns, onde pessoas de certas origens étnicas não deviam se escrever, como uigures. A empresa respondeu que está comprometida em manter “altos padrões de trabalho”, e não financia ou aprova os anúncios.

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